segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Marcação a mercado nos títulos públicos

Uma explicação sobre como variam os valores dos títulos públicos ao longo do tempo.

Voce deve se perguntar "Como um título de renda fixa pode me dar prejuízo se a taxa de juros definida no ato da compra é sempre positiva??"

Para entender o porque isso ocorre precimos primeiro saber como é feita a precificação dos títulos que sofrem com esse fenômeno, sendo eles, os pré-fixados e os indexados.

Nos títulos pré-fixados:
  • Quando você compra um título pré-fixado, na verdade, você esta adiquirindo o direito de receber um certo valor em uma determinada data (a data de vencimento do título)
  • Independente de quando você compra esse título ele sempre da, a todos, o direito de receber o mesmo valor.
  • O mercado sempre possui uma expectativa em relação a taxa de juros que será praticada ao longo de um período e as negociações dos títulos giram em torno dessas expectativas, quando essas expectativas mudam, as taxas praticadas mudam porém o valor a ser recebido no vencimento não pode mudar, posto que outras pessoas já adiquiriram o direito de receber aquele valor. Nesse cenário o que muda é o valor do título na compra.
Vamos a um exemplo:
  • Valor a ser recebido no vencimento: R$1000,00
  • Taxa de juros no ato da compra: 10%
  • Dias úteis até o vencimento: 1000

P_{compra}=\frac{1000}{{(1+10\%)}^{\frac{1000}{252}}}=685,08

Agora digamos que por um motivo qualquer 30 dias úteis após o exemplo acíma o mercado passa a esperar juros maiores, suponhamos 15%:
P_{compra}=\frac{1000}{{(1+15\%)}^{\frac{970}{252}}}=583,93

Note que o valor de compra caiu, porém o valor a ser pago no vencimento contínua sendo o mesmo (R$1000,00).



Nos títulos indexados:
  • Quando você compra um título indexado ao IPCA, na verdade, você esta adiquirindo o direito de receber um certo valor em uma determinada data, porém, neste caso, esse valor foi definido no passado (data base) e passa a ser reajustado pela inflação a partir da data base
  • Independente de quando você compra esse título ele sempre da, a todos, o direito de receber o mesmo valor.
Vamos a um exemplo:
  • Valor definido na data base: R$1000,00
  • Inflação medida entre a data base e o dia de hoje: 15%
  • Taxa de juros no ato da compra: 10%
  • Dias úteis até o vencimento: 1000

P_{compra}=\frac{1000 \times (1+15\%)}{{(1+10\%)}^{\frac{1000}{252}}}=787,84

De maneira semelhante passados 30 dias úteis se tivermos uma inflação de 16% entre a data base e a atual e a expectativa de juros passa a ser 15% temos:
P_{compra}=\frac{1000 \times (1+16\%)}{{(1+15\%)}^{\frac{970}{252}}}=677,36

Note que o valor de compra caiu, porém o valor a ser pago no vencimento contínua sendo o mesmo (R$1000,00 na data base, reajustado pelo IPCA a partir dali).

O governo se propõe a recomprar os títulos sempre que você quiser, porém o valor de recompra é o praticado pelo mercado naquele instante (salvo ágios ou deságios), sendo assim, dependendo do que acontece com as expectativas em relação a taxa de juros o valor do seu título pode cair em um determinado instante.
O parâmetro que podemos controlar nessa equação é o tempo até o vencimento, quanto maior esse período, mais expostos ficamos a pequenas oscilações nas expectativas em relação a taxa de juros, sendo assim, se não estivermos dispostos a ver grandes variações, podemos procurar títulos com vencimentos mais próximos, neste caso, variações nas taxas de juros impactam menos o preço do títulos.

A meu ver, para facilitar a compreensão de como funcionam esse títulos podemos pensar nas taxas de juros pactuadas no ato da compra como "taxas de desconto", esses títulos te dão o direito de obter um montante que não será reajustado (no caso dos pré fixados) ou definido no passado e reajustado pela inflação a partir de então (no caso dos indexados), e a taxa de juros acordada no ato da compra funciona como uma taxa de desconto na obtenção desse direito.

Outro comentário pertinente é em relação ao risco atrelado a compra de títulos pré-fixados, há uma sensação de que o risco nesse caso é menor uma vez que vocês já sabe o valor a ser recebido no futuro, porém, e o poder de compra desse montante? O valor a ser recebido no futuro é corroído pela inflação e no atual cenário, com inflação bastante alta, ela pode reduzir significativamente o poder de compra do montante a ser recebido. É importante levar isso em consideração na escolha dos títulos, você deve se perguntar:
  • "Qual a expectativa de inflação para o período?" 
  • "A chance da inflação sair de controle no período existe?" 
  • "Qual o premio que eu quero pelo risco de não saber o que ocorre com a inflação futura?"
Responder a essas perguntas te ajudam a escolher de maneira consiente qual título melhor se encaixa com suas expectativas.

Mantenha em mente que, quando estiver ponderando a compra de um dos dois títulos, compre-os se:
  • Você pretende aguardar até o vencimento;
  • Você pretende resgatar antes, porém, nesse caso, você tem a expectativa de que a taxa de juros futura vai cair e, se suas expectativas não forém atendidas, esteja ciente que se o resgate for necessário haverá prejuízo.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

O Investidor Inteligente

Comentários sobre o livro O Investidor Inteligente.

Autor:  Benjamin Graham

Se seu objetivo é investir através dos mais diversos meios disponíveis no mercado, sem dúvida alguma este é um ótimo livro para apontar o que priorizar, aonde focar os estudos, e como os retornos funcionam nesse meio.

Dentre os diversos pontos abordados pelo autor os que mais me chamaram a atenção foram:
  • Deixar clara a diferença entre especular e investir.
  • Apontar a necessidade de um estudo contínuo das condições das empresas nas quais vocês investe a fim de evitar surpresas desagradáveis.
  • Mostrar que existem dois perfis diferentes de investidores e que para cada perfil uma abordagem diferente é recomendada
  • Mostrar através de exemplos verdadeiros devaneios do mercado e apontar pontos através dos quais essas catastrofes poderiam ser percebidas e evitadas.
  • Levantar quais características devem receber atenção do investidor quando analisando empresas

O livro é indispensável se você pensa em investir em mercado de ações.

Muitas vezes ficamos impressionados com os lucros que poderiam ter sido obtidos se tivessemos entrado no momento certo e saido no momento certo de uma empresa. O livro deixa claro que isso não é investimento, isso é especulação, e te deixa claro o risco envolvido nesse tipo de operação. Mostra que se você investir também poderá obter ganhos satisfatórios com um risco bem menor.

O livro te prepara emocionalmente para oscilações do mercado, te da métricas para seguir ao longo de sua vida como investidor, enfim, é uma verdadeira escola.

Outro ponto explorado pelo livro é o de equilíbro da carteira entre renda fixa e renda variável, em que situações tender mais para um lado ou para outro, não que tenhamos que seguir a risca o que esta dito la, mas ter a opnião de alguem de peso como Graham é sempre bom.

Em muitos momentos ele comenta do mercado de ações norte americano, que não necessariamente se comporta como o nosso, a dinâmica da ecnomia é muito diferente, mais uma vez falar daquele filtro sobre o que levar em consideração mais a fundo.

domingo, 3 de janeiro de 2016

Taxa Selic

Uma breve explicação sobre o que é a Taxa Selic e o porque o governo tende a elevá-la ou reduzí-la.

A Selic é definida no COPOM, uma reunião que ocorre a cada 45 dias aproximadamente. O COPOM é uma reunião entre diversos membros do Banco Central (clique aqui para maiores informações).

Nessa reunião os membros do Banco Central analisam diversas informações sobre a economia nacional, como por exemplo:
  • Nível de atividade 
  • Inflação
  • Reservas internacionais
  • Finanças públicas
  • Mercado de câmbio
 Ao fim da reunião os membros presentes definem através de votação a Selic.

A Selic é a taxa de juros básica da economia, é quanto o governo paga de juros, é a taxa que diz quanto você recebe de juros ao emprestar dinheiro para o governo. Por outro lado ela também dita o quanto será cobrado de juros quando você faz um empréstimo.

Como a Selic dita o quanto é cobrado de juros para tudo na economia, quando ela sobe, fica mais caro para uma empresa conseguir dinheiro para se expandir, por este motivo, quando a selic sobe, cria-se recessão no mercado, a economia tem mais dificuldade de crescer porque fica mais caro se expandir. O inverso também é válido, quando a Selic cai fica mais fácil para uma empresa se capitalizar e expandir-se, portanto, a economia tende a crescer nesse cenário.

Quando a economia esta crescendo o consumo tende a aumentar, quando o consumo aumenta a inflação tende a aumentar (ocorre uma subida geral dos preços) se a oferta das empresas não acompanha esse crescimento de demanda. Por outro lado a oferta pode aumentar e a demanda não acompanhar, o que levaria a uma deflação (ocorre uma queda geral dos preços) o que é tão ruim quanto uma inflação descontrolada uma vez que também revela um descompasso no binario oferta/demanda.

Assim o Banco Central trabalha sempre com dois custos quando define para onde a Selic vai. Um é o custo da inflação, outro é o custo da recessão. Subir a Selic impõe recessão e derruba a inflação, reduzir a Selic reduz a recessão e, se o cenário economico não estiver preparado, aumenta a inflação.

A inflação/deflação é ruim pois dificulta planejamento, as empresas não conseguem decidir o que vão fazer a longo prazo, pois, não conseguem definir quanto isso vai custar a longo prazo. Se as empresas não conseguem se planejar elas deixam de investir e mais uma vez você trava a economia.

Por fim a Selic é utilizada pelo governo como um freio na economia, quando ela sobe a economia tende a dar uma reduzina no ritimo de crescimento e quando ela cai a economia tende a acelerar o ritimo de crescimento. O papel do Banco Central é monitorar a economia e decidir quando ela esta crescendo de uma maneira insustentável (a demanda aumenta mas a oferta não acompanha ou o contrário) e nesses cenários tomar decisões que voltem a equilibrar o binário oferta/demanda.

Pai Rico Pai Pobre

Comentários sobre o livro Pai Rico Pai Pobre.

Autor:  Robert Kiyosaki


Particularmente não gostei muito do livro, aborda temas bastante complexos tentando fazer crer que não são coisas complexas, tambem mostra diversas vezes investimentos que exigem certo apetite por risco sem deixar claro que o risco envolvido é considerável. Esse tipo de abordagem pode levar investidores a acreditar em um tipo de retorno que não existe de fato em investimentos e essa ilusão pode acarretar consequências danosas para investidores inexperientes.

Por outro lado o livro é interessante para dispertar em você a vontade de investir. Também te faz entender de uma maneira bastante interessante o que é ser rico, a meu ver, uma das melhores definições de riqueza que eu já vi é a definida pelo autor.

Outro ponto levantado pelo livro que é interessante é o de controle de despesas, ele te leva a entender até que ponto é interessante você assumir gastos, até que ponto você deve conter despesas e te mostra o quanto o balanceamento dessas duas forças é importante quando o objetivo final é acúmulo de capital.

Ele aborda também, com bastante enfase, o conceito de educação financeira que, como ele levanta, é um tema importante, porém, pouco explorado ao longo da vida de todos nós. A maneira como ele aborda o tema tenta mostrar o quão relevante esse tipo de informação é e mostra que abordar o tema dentro de casa é bastante importante o que, a meu ver, é correto, porém, uma prática pouco comum na sociedade atualmente.

Por fim ler sobre o tema é sempre interessante e lições interessantes são tiradas com frequência sobre esse tipo de leitura, mas é sempre válida uma visão crítica e um filtro bom a fim de não se iludir com exageros.

Tesouro Direto

Um breve resumo sobre o que você faz com seu dinheiro ao comprar títulos públicos e como remuneram os títulos públicos disponíveis hoje para compra.

Comprar títulos do tesouro direto equivale a emprestar dinheiro pro governo.

Ao longo do tempo o governo faz obras, contrata pessoas, paga por serviços e etc. Ele precisa de dinheiro para bancar isso tudo e uma das maneiras dele conseguir esse dinheiro é emprestando, ele pode emprestar de agentes externos ou internos ao país, quando ele pega dinheiro de agentes internos (como quando nós compramos títulos públicos através do tesouro direto) ele aumenta sua dívida interna.

Teoricamente o governo sempre paga suas dívidas e, portanto, o tesouro direto pode ser considerado livre de risco ou, pelo menos, um dos investimentos de menor risco disponíveis no mercado brasileiro. Existem pessoas que defendem que a dívida interna (atualmente próxima de 2,7 trilhões de reais) é impagável e o calote é inevitável.

Existem três tipos de títulos a venda no tesouro direto, são eles:

  • LFT (pós fixada)
    • Paga sempre juros referentes a Taxa Selic e se ela variar mudam também os juros pagos
  • LTN (pré fixada)
    • Paga uma taxa de juros fixa acordada no ato da compra dos títulos
  • NTNB (indexada ao IPCA)
    • Paga uma taxa de juros fixa acordada no ato da compra acima do IPCA
O título pós fixado (LFT) não sofre com marcação a mercado e, portanto, é o mais aconselhado para investimentos de prazo mais reduzido, ou em cenários de subida da taxa de juros.

Os títulos pré fixados e indexados ao IPCA sofrem marcação a mercado devido à variação da taxa de juros acordada no ato da compra. Por este motivo muitas vezes esses títulos podem gerar prejuízo se os juros futuros subirem e você precisar resgatar o dinheiro antes do vencimento. Por estes motivos esses títulos são mais recomendados para investimentos de longo prazo ou em cenários de queda dos juros futuros. Vale lembrar que mantidos os títulos até o vencimento sempre é paga a taxa acordada no ato da compra.

2016

Bom passei 2015 estudando um pouco sobre como escolher empresas para comprar ações.

Na primeira metade do ano acabei lendo mais sobre análise técnica, a conclusão é que não é esse o método de investimento que eu quero seguir, nada contra traders, se estiver dando certo pra você, continue assim, apenas acho que investimento de longo prazo exige outra cabeça.

Dada a pouca experiencia com investimentos, comecei aportando grande parte em renda fixa ao longo de 2015.

Para 2016 a intenção é começar a aportar mais forte em renda variável por minha conta e não através de fundos, acredito que ainda há muito para aprender, a intenção é continuar estudando e começar a aplicar mais o que ir aprendendo.

Feliz 2016 a todos e bons investimentos!